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O
Núcleo de Direito e Psicanálise – NDP foi fundado
em 2001, por seus Membros Fundadores, na cidade de São Luis,
Maranhão, após Congresso, coordenado pelo Professor
Agostinho Ramalho Marques Neto, em que se discutiu a interseção
e interlocução entre Direito e Psicanálise
a partir da obra Crime e Castigo, de Feódor Dostoievski.
Como
havia sido programado, no início de 2002 passou a funcionar
no contexto do Programa de Pós-graduação em
Direito da Universidade Federal do Paraná, e tem por escopo
desenvolver pesquisas no âmbito da interseção
e interlocução entre Direito e Psicanálise,
constituindo-se na primeira entidade do gênero no Brasil.
A
eclosão do NDP é resultado da aproximação
mais estreita entre juristas e psicanalistas interessados no imenso
– e imprescindível – campo que se abre na interseção
e interlocução entre Direito e Psicanálise
e a opção pela sua institucionalização
no PPGD-UFPR se deve ao fato de que nele, com mais viço,
os vínculos entre os campos historicamente se estabeleceram.
Além do mais, a reconhecida excelência do PPGD-UFPR,
com bases sólidas a lhe sustentar, teria, como de fato tem,
inviabilizado conflitos e questiúnculas que, com freqüência,
tendem a destruir a – necessária – institucionalização,
fato que é relevante (à manutenção e
estabilidade institucional) em razão da fragilidade das conquistas
obtidas e dos avanços teóricos alcançados.
Por
outro lado, a institucionalização é resultado
da maturidade de uma conclusão sobre a necessidade dela e
de se ter um Núcleo de tal natureza e debruçado sobre
o precitado objeto. Tal lugar foi conquistado após anos e
anos de diálogos aproximativos, nos quais as maiores dificuldades
sempre foram as tenazes resistências impostas pelos saberes
consolidados. Não obstante, um grupo de juristas e psicanalistas,
professores e pesquisadores ou não, manteve-se instigado
a tentar responder aos desafios e vazios deixados pela interseção.
Tendo
isso por pano de fundo, a vintenária aproximação
de juristas e professores do PPGD-UFPR com psicanalistas da Biblioteca
Freudiana de Curitiba (dentre outros o saudoso Norberto Carlos Irustra,
então Presidente da BFC) conduziu a uma série de eventos
conjuntos dos quais se destacaram dois Congressos que funcionaram
– e funcionam – como marcos históricos na caminhada
que se empreendia: O I Encontro Brasileiro de Direito e Psicanálise,
sob o título A Lei e a lei – questões da cidadania
(1994) realizado no anfiteatro da Reitoria da UFPR, do qual participaram
cerca de 1.250 pessoas e Congresso Internacional de Ética
e Cidadania/II Encontro Brasileiro de Direito e Psicanálise
http://www.bfc.com.br/cong.htm) (2000) no Canal da Música,
em Curitiba, no qual participaram cerca de 1.500 pessoas, promovidos
pela UFPR, Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos (IBEJ)
e Biblioteca Freudiana de Curitiba (BFC) e, o último, também
pelo Centro Universitário Positivo (UNICEMP).
Por
evidente, não se pode excluir – muito menos deixar
de lembrar e anotar – antecedentes mediatos de importância
capital e que levaram juristas e psicanalistas ao interesse comum.
No âmbito externo, os trabalhos de Pierre Legendre em França,
assim como o Núcleo organizado em torno de Enrique Marí
na Universidad de Buenos Aires, Argentina, foram decisivos para
ressaltar a interseção, sua importância e a
interlocução. No âmbito interno, o mais importante
precursor (embora não seja o único) foi o jurista
e professor argentino Luis Alberto Warat, então integrante
do Programa de Pós-graduação em Direito da
Universidade Federal de Santa Catarina, o qual, com sua postura
de cronópio, derrubou barreiras e mitos com textos, livros
(como A Ciência Jurídica e seus dois maridos), além
de eventos de grande repercussão por ele comandados como
os Seminários sobre o Amor. De uma certa forma, é
possível afirmar que esta abertura para o conhecimento permitiu
que os juristas paulatinamente fossem compreendendo a importância
dos psicanalistas e da psicanálise. Superado o receio inercial,
abriu-se um largo espaço para o uso e a indicação
da clínica, assim como o desfrute da teoria psicanalítica.
De outra banda, os psicanalistas – não só pelos
indicativos de autores de peso como Freud e Lacan – começaram
a perceber e respeitar os juristas e o campo jurídico como
possuidor de um saber que está para além das formas
legais típicas e do manejo do poder por elas. De um certo
modo, tendo por ante-sala um imprescindível respeito mútuo
foi possível desencadear diálogos cada vez mais profícuos.
A
Coordenação está a cargo do Professor Titular
de Direito Processual Penal Doutor Jacinto Nelson de Miranda Coutinho.
Núcleo de Direito e Psicanálise
Programa de Pós-graduação em Direito -
Faculdade de Direito
Setor de Ciências Jurídicas -
Universidade Federal do Paraná
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